terça-feira, 29 de setembro de 2020

Quando cada vida vale por todo o mundo

(originalmente publicado em https://cip.org.br/wp-content/uploads/2020/09/Livro-Memorias_Grandes-Festas-5781_OK.pdf)

 

Eu dedico esse comentário à memória de Silvia Belk Keila, 

uma prima querida que faleceu em Sh’mini Atséret de 5780.

 

Nos últimos meses, nos acostumamos a ver nas manchetes dos jornais números diários de mortos pela Covid-19. Ainda me lembro quando o Brasil atingiu vinte mil mortos em maio: as mensagens nas redes sociais e os artigos na imprensa destacaram essa triste marca e lembraram quem eram algumas das pessoas que haviam falecido, impedindo que a frieza dos números nos cegasse para a dimensão humana desta tragédia. No entanto, com o passar das semanas e dos relatos diários, fomos nos acostumando com o ritmo de mortes e paramos de pensar nas vidas que se perderam. No ritmo atual, mais de vinte mil pessoas morrem de Covid-19 por mês no Brasil, mas as postagens e os artigos se tornaram muito mais raros e, assim, sabemos bem menos sobre quem eram essas pessoas.

 

Nestes meses de isolamento, em que passamos mais tempo em casa, sentimos também mais falta do contato humano com nossos pais e avós, com nossos professores, mentores e colegas, com amigos próximos e com nossos filhos. Em alguns casos, a tecnologia tem nos ajudado a diminuir a distância e mantermo-nos em contato; mas não há tecnologia que nos ajude a diminuir a falta que sentimos daqueles que já faleceram. Nestes casos, ao contrário da situação em que o número nos dessensibiliza, nós sabemos que cada pessoa é insubstituível, que cada vida perdida é realmente como se tivéssemos perdido todo o mundo. Em muitos casos, a falta que sentimos deles nesses meses de isolamento tem sido ainda maior do que em anos anteriores.

 

No Izcór, relembramos de seus exemplos e da forma como nos impactaram. Buscamos resgatar seus valores e exercer nas nossas vidas o que deles aprendemos. A se entregar com generosidade como eles faziam, a amar a vida como eles amaram, a transformar o mundo e as outras pessoas como eles fizeram. Ao pedirmos a Deus que se lembre deles, relembramos à fagulha Divina em cada um de nós que os mantenha para sempre conectados à corrente das nossas vidas.

 

Gmar Tov!

 

 

 

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