sexta-feira, 3 de setembro de 2021
Dvar Torá: Encontrando razão naquele de quem discordamos (CIP)
quarta-feira, 1 de setembro de 2021
sexta-feira, 27 de agosto de 2021
A Dor de Cada Um e a Dor da Comunidade
(originalmente publicado em https://cip.org.br/livrodememorias2021-2/)
Nas últimas semanas, descobri uma nova melodia para o Salmo 147, que passamos a cantar no Shacharit de Shabat [1]. Suas palavras, que estão nos versículos 3 e 4 do Salmo, afirmam sobre Deus: “Cura as pessoas com o coração partido e trata das suas tristezas; determina o número das estrelas e dá nome a cada uma delas.”
Toda vez que cantamos esta melodia, eu fico maravilhado com a doçura de suas palavras, do carinho implícito na visão do Divino que acolhe especialmente as pessoas sofrendo e enxerga tanto o grande esquema do universo (quando conta as estrelas) quanto reconhece a individualidade de cada um (quando lhes dá nomes).
Neste ano, em que perdemos tantas pessoas queridas e no qual nosso país sofreu tanto, tivemos o desafio de aprender com a conduta Divina: ao endereçarmos a macro-perspectiva, reconhecemos a dor coletiva e a responsabilidade de fazermos parte de uma comunidade e de uma sociedade que estão, de forma coletiva, em luto; ao mesmo tempo em que, cada um na sua realidade individual, sofre pela perda de pessoas próximas, cujo vazio nos fala especialmente alto. O desafio é estarmos simultaneamente presentes para o nosso próprio sofrimento e o da nossa casa, da nossa rua, da cidade e de todo o mundo.
No Izcór, realizamos um movimento similar: ao fazermos esta reza em comunidade, afirmamos nosso pertencimento e expressamos empatia para com as pessoas com quem rezamos (mesmo que, neste ano, não possamos vê-las); criamos memórias coletivas e homenageamos pessoas com quem, muitas vezes, não convivemos. Além de um momento comunitário, o Izcór é também uma parte profundamente pessoal do serviço religioso, no qual revisitamos a dor pelas pessoas que perdemos no último ano ou antes disso, honramos sua memória e expressamos a saudade que sentimos.
Nosso apoio mútuo e a forma como conduzimos nossas vidas são as melhores formas de honrarmos as memórias pessoais e coletivas que trazemos à tona no Izcór. O legado vivo das pessoas que mais amamos se dá através dos valores que elas puderam nos transmitir e pelos quais elas continuam entrelaçadas à corrente da vida.
[1] A melodia que temos cantado, de autoria do rabino Shiar Yaakov, pode ser encontrada aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AyyUR2K29BM
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
Revelando o Divino do seu esconderijo
Como parte da preparação espiritual que precede Rosh haShaná e Iom Kipur, tornou-se tradicional nos últimos dois séculos lermos o Salmo 27 durante os serviços religiosos da manhã e da noite. Ao longo das últimas semanas, temos feito isso no minián online da CIP, alternando entre leituras do Salmo completo e melodias que focam em alguns poucos versos. Uma destas melodias chama nossa atenção para o 8º versículo do Salmo, que afirma: “Lechá amar libí: bacshú Panai, et Panecha, Adonai, avakesh”; “Em Teu nome, meu coração diz: ‘Busquem Minha face!’ Adonai, eu busco a Tua face.” A primeira metade do verso seguinte aprofunda este pedido, quase como se fosse uma súplica:
“Al taster Panêchá mimeni”; “Não esconda a Tua face de mim.”
A ideia de Hester Panim, de que Deus passou a esconder Sua face e a agir no mundo de formas mais sutis, é bastante presente no Pensamento Judaico. Se na saída do Egito ou na Entrega da Torá, por exemplo, Deus Se fez presente de forma explícita e aparente, nas histórias de Purim e de Chanucá precisamos investigar a narrativa com cuidado para notar os sinais da presença Divina. Também nas nossas vidas, há momentos em que conseguimos sentir a presença próxima de Deus e outros nos quais precisamos aguçar nossos sentidos, olhar com cuidado e atenção para buscar a Presença nos detalhes.
A parashá desta semana apresenta uma lista de bênçãos e maldições que recairão sobre as pessoas, dependendo do seu comportamento. Serão amaldiçoados na sua saúde e na sua prosperidade financeira, por exemplo, quem subverter os direitos do estrangeiro, do órfão e da viúva ou quem encaminhar um cego na direção errada. Quem por outro lado, cumprir as mitsvót, receberá imensa prosperidade e estará sempre no topo. Uma lógica de Justiça, na qual os resultados auferidos estão diretamente relacionados à conduta ética, permeia a promessa Divina.
Nossa observação do mundo, no entanto, frequentemente não se adequa a esta clara relação entre a forma ética com que as pessoas conduzem suas vidas e os resultados que recebem. Todos nós conhecemos exemplos de pessoas extremamente boas, verdadeiros tsadikim, que no entanto encontram imensas dificuldades para pagar todas as contas ao final do mês ou têm dificuldades de saúde. E também sabemos de histórias de pessoas que, apesar de não pautarem seu comportamento de acordo com os mesmos padrões éticos, colhem sucesso e reconhecimento. Mais do que outros aspectos de Hester Panim, este se revela e nos incomoda permanentemente. Para muitos, esta falta de justiça é, em si mesma, motivação de deixarem a busca por um caminho ético.
Existe uma outra abordagem possível. Para além do Deus externo, podemos focar na fagulha Divina que reside em cada um de nós. Com a chegada de Rosh haShaná e de Iom Kipur, ao reconhecermos nossas vulnerabilidade e nos encontrarmos com nossa própria mortalidade, é esta centelha que nos motiva a seguir o caminho correto, da empatia, da justiça, da verdade e da inclusão. Apesar dos nossos esforços, é possível que a inscrição no Livro da Vida ou no Livro do Sucesso nem sempre dependa exclusivamente da nossa conduta e que muita coisa dependa apenas do acaso, mas o que se abre à nossa frente a cada novo ciclo é a possibilidade de escrever a forma como viveremos nossas vidas e garantir que, ao seu final, tenhamos orgulho dos caminhos que escolhemos. Assim como a fagulha divina é interna, a recompensa pela honestidade na conduta das nossas vidas não é externa, ela está na própria forma como vivemos.
Que, frente a um mundo que ainda não é inteiramente justo ou ético e no qual bençãos e maldições muitas vezes se confundem, continuemos buscando a face de Deus e revelando o Divino de seus lugares escondidos.
Shabat Shalom!
domingo, 22 de agosto de 2021
sexta-feira, 20 de agosto de 2021
Dvar Torá: E quando a Torá determina um genocídio? (CIP)
Lembre-se do que Amalek fez com você em sua jornada, depois que você deixou o Egito - como, sem se deixar abater pelo temor de Deus, eles te surpreenderam na marcha, quando você estava faminto e cansado, e mataram todos os retardatários em sua retaguarda. Portanto, quando ה׳ teu Deus te der a segurança de todos os teus inimigos ao teu redor, na terra que ה׳ teu Deus te der por herança, você apagará a memória de Amalek de debaixo do céu. Não se esqueça! [5]
1- Se lembrar do que Amalek nos faz na saída de Mitsrayim;2- Não esquecer o que Amalek nos fez;3- Erradicar a descendência de Amalek do mundo.